segunda-feira, 28 de abril de 2014

Céu, inferno, limbo, espaço.

Quem eu sou? De onde vim? Para onde vou?
Naquela noite estrelada, com aquele mar de infinidade negra, senti-me aprisionada em meu corpo. Se o mundo é tão grande, se o universo é infinito, pois então para que eu viverei para sempre nesse casulo que me faz imergir dentro de meu próprio ser?! Preciso cair desse abismo para poder me liberar?
Mas os sonhos me fazem perder meus limites, me fundo com o espaço, me alio às galáxias, me perco em todas as constelações. E nesses devaneios, há apenas o aprendizado, as fraquezas deixam de existir, o passado se perde em todo o silencio e eu consigo esquecer todos aqueles amores que um dia me fizeram chorar, aquela idealização incessante, aquele amor inabalável, tal amor que eu jamais presenciei. Até o mais irresistível dos amores tem fim, e não há finais felizes nesse novo mundo.
Quem me dera voltar no tempo, antes de eu nascer, presenciar os simbolistas em suas viagens e conseguir navegar com eles, aprender junto aos poetas mais exorbitantes que já existiram.
Quero atingir essa busca que percorro desde que nasci, a pergunta que mais me faz ter insônia, ‘’ para que eu existo? Será que minha vida tem um sentido?’’ E se tem é o de escrever, pois nas palavras me encontro e me perco repetitivamente, nas palavras busco novos sons e novas línguas, novas formas de dizer amor e também de dizer adeus...
Mas além de tudo o que eu mais almejo é continuar a ser eu, pois eu não seria boa em ser mais ninguém, a viver com outras histórias, a perder outras pessoas, a não lembrar quem eu não quero que se esqueça de mim. Atingir a imortalidade com o pensamento, não deixar de morrer, mas também quiçá nunca sair das memórias alheias.
E quando eu morrer, por favor, não me leve a esse paraíso onde eu deveria descansar por toda a eternidade, eu tenho fé que minha alma ainda atingirá muitos caminhos antes de se cessar.

Não me deixe só, não me faça mal, não me agonize e não me venda ao ser que anda ao nosso lado, não me deixe no limbo. Apenas solte minha alma pelo universo, ou até por esse mundo, não importa, desde que eu não me esqueça de tudo que passei. 

Gabrielly Tsuda

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